7 de agosto de 2007

Atleta Mineiro se prepara para conquistar sua décima medalha de ouro em Parapans

Belo Horizonte - Em seu 5º Pan, o mesatenista Carlo Michel, ou Carluxo, como é conhecido, poderá se tornar o brasileiro que mais conquistou medalhas de ouro na competição, podendo chegar a 10ª, em sua categoria. Ele viaja dia 1º de agosto para última fase de treinamentos na Academia Militar das Agulhas Negras, no estado do Rio de Janeiro, depois ele vai para a Vila do Pan. A partir do dia 13, ele disputa a competição de tênis de mesa. “Meus maiores adversários são: no individual, o chileno Galaz e o brasileiro Kaike. Na competição em equipe são os atletas americanos da classe 7, Norman Bass e Eduard Levy. Mas estou confiante, pois apesar de ser portador de uma deficiência de um grau maior que a deles, estou treinando duro em grande forma e já ganhei de vários deles e, outras oportunidades”, conta Carluxo.

História

Carlo Michel praticamente nasceu no esporte, portador de uma doença rara chamada Artrogripose, que o levou a enfrentar 51 cirurgias e anos de fisioterapia, aos três anos de idade o garoto já entrou na aula de natação. “Ele aprendeu a nadar antes mesmo de andar”, lembra a mãe, Helaine Miranda. Mas o menino, aos poucos, foi mostrando força de vontade e determinação e superou os desafios impostos pela vida. Cresceu, começou a praticar tênis de mesa e, hoje, é um dos destaques paraolímpicos do Brasil.

O atleta começou no esporte aos 14 anos de idade. Aos 15, já fazia parte da seleção mineira infantil (Olímpica), aos 26, descobriu o esporte paraolímpico e, desde então, faz parte da seleção brasileira.

Em 2006, venceu o campeonato brasileiro paraolímpico de tênis de mesa, foi vice-campeão paraolímpico na categoria Open. Ele também foi medalha de bronze no aberto da Argentina e 4º lugar no aberto da Alemanha, que estão entre os principais campeonatos internacionais paraolímpicos. Carlo, que é o número oito no ranking Mundial em sua categoria, acumula ainda os títulos de Campeão do Mundial da Paz, no Rio (2006), Tetra Campeão Paranamericano, entre outros.

“Quando comecei a jogar, tive de enfrentar muitos preconceitos, muitos atletas se negavam a jogar comigo devido a minha deficiência. Hoje, é diferente. Meus adversários acabaram moldando a minha personalidade esportiva. Com eles, aprendi que a força de vontade é maior do que qualquer obstáculo e os sonhos sempre podem se tornar reais”, afirma Carluxo.

Hoje, por onde passa, Carlo é respeitado e admirado. “Considero-me uma pessoa quase realizada, pois ainda quero ganhar muitas medalhas para o Brasil e Minas Gerais”, finaliza.

Blogue do Carlo Michel:

www.carluxonoparapanamericano.blogspot.com

e.t.: Infelizmente a nossa mídia é racista (e não venham me dizer o contrário) e não sabe lidar com as diferenças. Para ela, ser diferente é ser mulher-barbada figurante em "noites de circo", é ser inválido. Pessoas como Carlo desafiam, é muito para o entendimento dos nossos jornalões.

Dica para o povo que está no Rio:
os ingressos pro Parapan é 0800 (diferentemente do que rola nos quatro cantos do mundo), então... prestigiem.